A transformação digital tem colocado a tecnologia no centro de negócios dos mais diversos setores econômicos — e é claro que com a advocacia não seria diferente. Especificamente no caso da prática jurídica, essa nova era trouxe não apenas aceleração de resultados e redução de custos, mas também uma mudança completa no fluxo de trabalho. É o que chamamos de Advocacia Digital ou Advocacia 3.0.

Para que você possa entender melhor como se deu essa evolução digital na advocacia, fizemos um resumo das três grandes fases que correspondem ao desenvolvimento histórico da advocacia no Brasil e no mundo:

  1. Advocacia 1.0 (ou Advocacia Artesanal): advocacia antiga e sem ferramentas adequadas, lenta e minuciosa, com boa qualidade mas pouca e caríssima produção.
  2. Advocacia 2.0 (ou Advocacia de Transição): modelo que adota ferramentas eletrônicas (como bancos de jurisprudência, Word, arquivos online e modelos de petição) para atender o aumento da demanda da população de baixa renda, com criação e evolução dos juizados especiais.
  3. Advocacia 3.0 (ou Advocacia Digital): escritórios com equipes de alta performance que adotam a fragmentação consciente do trabalho jurídico e a prospecção de clientes através do marketing jurídico digital de conteúdo rico e orgânico, baseados em plataformas digitais auto-gerenciáveis e sistemas de automação de atendimento aos clientes visando ao Estado da Arte na experiência do cliente.

Abaixo você pode conferir mais detalhes sobre o modelo de trabalho da Advocacia em cada uma de suas fases:

A Advocacia Artesanal

O modelo artesanal conta com advogados que atuam do início ao fim dos processos. Isso significa que, quando um cliente assina o contrato, o advogado será responsável por todas as etapas, com o mínimo de adoção de tecnologias de suporte. O advogado realizará o encaminhamento administrativo, as diligências, o trabalho de produção jurídica, as audiências, a execução e a cobrança.

Esse modelo puro está praticamente extinto no mercado jurídico atual. Nos melhores cenários, o serviço é dividido com o atendimento (realizado pela secretária ou por um estagiário) e a cobrança (com um responsável por organizar as finanças, em escritórios maiores).

Limitações do modelo

O problema desse tipo de trabalho é que o advogado não terá “braço” para crescer seu escritório. Ficará sobrecarregado e não será especialista em executar nenhuma etapa.

Em outras áreas profissionais, cada funcionário possui uma especialidade e uma função dentro da empresa. Há quem atenda, quem cobre, quem comunique, quem feche negócios, quem administre, quem gerencie pessoas e quem dê conta do produto em si, diminuindo a sobrecarga e possibilitando a otimização das tarefas. Afinal, cada pessoa será responsável por melhorar seu desempenho em determinada etapa da atividade.

Além da sobrecarga, o modelo artesanal traz outro problema: a sensação de competitividade e injustiça entre os advogados dos escritórios que contam com uma equipe maior. Assim, quando alguém ganha uma ação que, nesses moldes, é “sua” e precisa dividir os honorários, há uma sensação de injustiça, pois o trabalho foi inteiramente realizado por uma pessoa, não por todas.

A competitividade também aparece. Os colaboradores buscam trazer contratos cada vez mais rentáveis e significativos para se tornarem membros mais relevantes e indispensáveis. Isso significa a possibilidade de ganhar promoções e, em caso de necessidade de demissões, não estar no alvo da administração.

Acontece que a lógica da competitividade é própria de um momento histórico superado. A geração de Baby boomers e a Geração X (nascidos nas décadas de 60 e 70) vivenciaram tal lógica com o objetivo de produzir mais e garantir segurança e estabilidade. Porém, a partir das gerações Y e Z (esta última que agora adentra o mercado de trabalho), uma empresa que se baseia no clima competitivo e na capacidade de acumular muito trabalho pode colocar em risco a retenção de talentos e, consequentemente, o sucesso de sua empresa.

Esse cenário se aplica inclusive ao Direito, mesmo que ele pareça uma área mais tradicional e conservadora. Afinal, o número de advogados no mercado é crescente, bem como a oferta de graduações na área. Assim, cada vez mais há advogados novos, com diferentes talentos e que nem sempre se encaixam nas estruturas oferecidas atualmente.

No momento em que só há o modelo artesanal disponível, milhares de talentos são desperdiçados. Quando se introduz uma nova lógica que contemple o ritmo, as esperanças e os talentos desses novos profissionais, a advocacia cresce e colabora para um cenário econômico melhor. Afinal, ela estará empregando pessoas que não se adaptariam a uma versão antiga da profissão.

Vantagens da Advocacia Digital

O modelo digital da advocacia — a Advocacia 3.0 — é, então, a solução cabível nesse novo cenário que se apresenta. Veja por quê:

Eliminação da sobrecarga na rotina do advogado

No momento em que as responsabilidades dentro de um escritório de advocacia são delegadas a diferentes pessoas, o estresse causado por resolver todos os grandes problemas que assolam a gestão de um escritório de advocacia é diluído.

Com a fragmentação do serviço e diluição do estresse, a equipe se encontra mais preparada para lidar com os desafios e problemas que se apresentam no dia a dia. Isso acontece porque cada pessoa abraçará a etapa para a qual estiver mais bem preparada e se tornará especialista naquela etapa.

O pensamento é bastante simples: quem lida com o back office, preparando petições, recursos e outras peças dessa etapa, por exemplo, estará muito mais preparado para lidar com problemas do que se precisasse dividir seu tempo entre essas atividades, pedidos administrativos, diligências, audiências e cobranças. Além disso, a responsabilidade de realizar o pagamento da equipe e cobrar clientes não acumulará sobre essa mesma pessoa, que poderá trabalhar com muito mais foco e tranquilidade. A produtividade, inevitavelmente, vai aumentar.

Melhor aproveitamento dos talentos dos colaboradores

Nem todas as pessoas que se formam em Direito têm as habilidades necessárias para elaborar uma peça no estado da arte com excelência.

Há advogados com maior habilidade social, comunicacional. Outros possuem maior habilidade de liderança e gestão. Bem como há quem não goste de realizar atendimentos, mas seja excepcional na elaboração do trabalho de back office.

Assim, esses profissionais são encaixados nas funções que mais fazem sentido para seu talento e sua desenvoltura. Por que forçar uma pessoa a trabalhar em algo para o qual ela não tem habilidade?

A postura de estruturar o escritório com base no que é feito por padrão prejudica o empreendimento e pode frequentemente frustrar talentos incríveis. Por outro lado, saber lidar com essas diferenças e fornecer as condições para seus talentos serem mais bem desenvolvidos fortalece o escritório, motiva o profissional e melhora o quadro geral de emprego e profissão no país.

Maior capacidade de adaptação ao contexto atual

Outra característica, não menos importante, é a capacidade do serviço jurídico fragmentado de se adaptar culturalmente ao novo contexto social estabelecido e em construção.

São incontáveis as pesquisas e publicações referentes ao comportamento das gerações no trabalho. Atualmente, as empresas enfrentam conflitos com a geração Y, por sua necessidade de buscar trabalhos que façam sentido além dos resultados, pela incapacidade de aceitar a idade e o tempo de trabalho como justificativas para crescimento, pela crença que o mérito vem do esforço e das entregas realizadas e, ainda, pela extrema dificuldade em ouvir críticas.

No modelo da Advocacia Digital, os gestores já estão preparados para lidar com essas características — ou ao menos deveriam estar. E o que se desenha para os próximos anos é a entrada de uma geração ainda mais distante dos valores estabelecidos nas corporações tradicionais.

Nesse cenário atual, o estímulo de ambientes dinâmicos e motivadores, a necessidade de ações criativas para engajar equipes e, acima de tudo, a criação de culturas empresariais colaborativas, que tornem o ambiente de trabalho um lugar prazeroso (independentemente da área de atuação), são indispensáveis para quem quer construir uma empresa de verdadeiro sucesso — seja em termos de alcance geográfico ou de crescimento das operações localmente —, oferecendo sempre um serviço de qualidade.

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Alan Vital é Advogado e Programador Front End, com Pós graduação em Direito Digital e Compliance, especialista em Marketing Jurídico e Gestão de Escritórios Digitais, além de membro de comissões da OAB e da Jovem Advocacia. Consultor da ADVBOX e proprietário e criador do Aplicativo AVALIAJUS.


Alan Vital

Alan Vital é Advogado e Programador Front End, com Pós graduação em Direito Digital e Compliance, especialista em Marketing Jurídico e Gestão de Escritórios Digitais, além de membro de comissões da OAB e da Jovem Advocacia. Consultor da ADVBOX e proprietário e criador do Aplicativo AVALIAJUS.