O modelo de negócio representa um conceito muito comum na Administração de Empresas. Ele serve para descrever de modo claro a metodologia que será adotada por uma empresa para gerar valor. Para isso, são definidos vários itens que envolvem a prestação de serviços da empresa, desde aquisição de clientes até estrutura e logística. Mas como adotar esse modelo na área jurídica?

Modelos de negócios jurídicos no Brasil

Raramente os advogados planejam como será a estrutura de seus escritórios de advocacia. Tanto para abrir um novo escritório quanto para reestruturar um negócio existente, é preciso estabelecer uma lógica de funcionamento. Isso envolve pontos como a forma de atendimento, os recursos disponíveis e os produtos a serem oferecidos.

Na advocacia, um modelo de negócio é adotado mesmo quando os advogados não pensam nisso. O paradoxo é que essa é a forma mais comum de modelo de negócio jurídico! Nós denominamos esses casos de “escritórios simples”. Basicamente, são negócios que visam reduzir custos ao máximo e não investir dinheiro na aquisição de clientes.

Além desse modelo, é possível identificar hoje no Brasil alguns outros grupos de negócios jurídicos. Os principais são:

  • Escritório simples
  • Escritório de boutique
  • Advocacia em massa
  • Advocacia por terceirização
  • Advocacia web service

Nos próximos posts, explicaremos com mais detalhes cada um desses negócios jurídicos. Antes de se aprofundar nesses conceitos, devem-se conhecer e entender os elementos básicos que compõem um modelo de negócios. Assim você terá mais insumos para definir o tipo de escritório que pretende desenvolver e a carreira que quer construir.

Definindo o modelo de negócio do seu escritório

Como vimos, um modelo de negócio busca descrever e ordenar questões relevantes para estruturar um empreendimento. A metodologia mais usada atualmente para esse fim é o Quadro de Modelo de Negócio (ou Business Model Canvas), que permite conceber o planejamento estratégico da empresa de forma bastante visual.

A construção do modelo de negócio deve envolver as áreas fundamentais de um empreendimento: produto/serviço (o quê), infraestrutura (como), clientes (para quem) e finanças (quanto). Com o auxílio da ferramenta Canvas, é possível tratar essas áreas a partir de 9 blocos essenciais.

Veja abaixo quais são esses blocos e como eles se aplicam ao seu escritório de advocacia:

1. Proposta de valor

É o diferencial do seu negócio. Podem ser as especialidades e/ou áreas do Direito em que o escritório atua (se trabalha com uma consultoria especializada, por exemplo). Mais ainda, podem ser os tipos de ação que o escritório mais domina e/ou as teses que mais tem defendido.

2. Parcerias-chave

São os públicos que apoiam e facilitam o fluxo de trabalho do negócio. Podem ser fornecedores, empresas, organizações e até mesmo outros escritórios de advocacia.

3. Atividades-chave

São as tarefas essenciais que devem ser realizadas para o escritório de advocacia funcionar com a qualidade proposta.

4. Recursos-chave

Principais recursos físicos e intelectuais disponíveis para o escritório. São equipamentos e pessoas fundamentais para que o escritório possa realizar seu trabalho com o nível de qualidade e agilidade a que se propõe.

5. Segmentos de clientes

São os clientes que o escritório busca atender. A segmentação (ou segmentações) pode ser feita por meio de características como necessidades, atributos, profissão, idade, renda ou outros pontos similares.

6. Relacionamento com clientes

Tipo de relação que o escritório estabelece de forma mais permanente com o segmento de clientes escolhido. Vale para o período anterior à contratação, durante o andamento dos processos e após a conclusão do serviço jurídico prestado.

7. Canais

Forma da empresa se comunicar com o segmento de clientes escolhido. Normalmente envolve ações de marketing de relacionamento, digital ou de atendimento. Pode envolver até mesmo o relacionamento pessoal do advogado em associações/sindicatos ou com pessoas que indiquem clientes.

8. Estrutura de custos

Descreve os custos do escritório de advocacia decorrentes da operação do modelo de negócio em questão.

9. Fontes de receita

Descreve como o escritório pretende gerar receita dentro da estrutura do negócio e através do segmento de clientes escolhido. É importante especificar métricas como volume, média de tempo e média por cliente/processo.

E você, ainda tem dúvidas sobre como aplicar um modelo de negócio em seu escritório de advocacia? Quer acrescentar alguma ideia ao nosso post? Deixe seus comentários abaixo!


Alan Vital

Alan Vital é Advogado e Programador Front End, com Pós graduação em Direito Digital e Compliance, especialista em Marketing Jurídico e Gestão de Escritórios Digitais, além de membro de comissões da OAB e da Jovem Advocacia. Consultor da ADVBOX e proprietário e criador do Aplicativo AVALIAJUS.