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Renan de Souza venceu a categoria “Novas Tecnologias para o Direito e gestão de pessoas na advocacia” do Concurso de Artigos ADVBOX 2018.

Há algum tempo é objeto de debate, principalmente pelos especialistas em tecnologia e automação na área da advocacia, se a utilização de “robôs” e softwares não tornaria a advocacia uma profissão mercantilizada (o que é expressamente vedado pelo Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil) e se, ao invés de incrementar o serviço intelectual jurídico, apenas o empobreceria.

As pessoas, tomadoras dos serviços jurídicos prestados por advogados, pensam na sua demanda como única, especial, o que necessitaria do profissional um trabalho personalizado, assim como ocorre em muitos escritórios que se dedicam à prestação de serviços no estilo boutique.

Acontece que, com a popularização da tecnologia e com o advento de sistemas de informação, softwares voltados para área jurídica e plataformas inteligentes para a gestão de escritórios de advocacia, a divisão de estilos de escritório, os especializados em ações de massa e os especializados em demanda personalizada, não se faz mais necessária, senão vejamos.

A tecnologia utilizada na produção intelectual do advogado, pode favorecer que esse produza um padrão de petições a serem replicadas em determinados casos e que realmente confeririam ao serviço um cunho mais acentuado de atividade mercantil, com fluxo de trabalho e linha produção sistematizada. Contudo, não podemos esquecer que o advogado não pode se limitar ao uso de petições padrões, devendo utilizar de seu conhecimento para analisar cada caso de forma específica e trazer a melhor solução jurídica para seus clientes.

Dessa forma, fica claro que a tecnologia não vem para tomar o lugar dos advogados, mas tão somente para fomentar a profissão e a classe como um todo. Isso porque, principalmente nas ações de massa, os operadores do direito podem utilizar de padrões por eles já produzidos e despender seu tempo com casos que realmente demandem mais de sua atenção, por decorrência de eventuais peculiaridades.

Tal fato, além de auxiliar o profissional no seu dia-a-dia, com a gestão do escritório, dos processos, de seu tempo e das informações a serem prestadas aos seus clientes, pode também fornecer às bancas conhecidas por sua atuação em massa, a oportunidade em atuar em casos diferentes aos que por si foram pré-determinados, bem como facilitar a implementação das ações de massa em escritórios que demandam mais tempo em trazer soluções jurídicas através de petições personalizadas.

Essa abordagem pode trazer novas oportunidades negociais para diversos tipos de escritório de advocacia que buscam novas fontes de renda, aumentar sua carteira de clientes, além de prestar serviços de qualidade, poupando tempo e dinheiro através da tecnologia.

A automação da produção intelectual não só favorece ao advogado, mas também aos clientes. Isso porque, através de uma análise acentuada das jurisprudências pacíficas nos tribunais e da assertividade das teses a serem implementadas, pode-se também economizar dinheiro e tempo para o tomador do serviço jurídico, evitando gastos desnecessários com custas e despesas processuais decorrentes do indeferimento de teses superadas, bem como conferindo uma maior celeridade ao andamento processual.

Utilizados esses sistemas de informação para a produção intelectual, o profissional encarregado de gerir um escritório, um núcleo de advogados ou um setor jurídico empresarial possuirá mais tempo também para: analisar dados; estatísticas de produção; aperfeiçoar seu serviço; despender mais tempo para o atendimento pessoal e personalizado ao seu cliente (munido de relatórios completos e detalhados sobre cada ação específica); buscar novas teses e oportunidades jurídicas a serem implementadas; bem como gerir de forma mais integrada os profissionais que estão sob sua responsabilidade.

Todavia, assim como os benefícios já expostos, a tecnologia também pode trazer muitos problemas para os profissionais desavisados e despreparados para a sua utilização. Isso porque pode gerar o efeito contrário ao esperado.

Alguns profissionais utilizam das ações de massa sem gerir seu banco de informações, o que pode acarretar em diversas consequências desagradáveis, tanto para o profissional jurídico quanto para seus clientes, sendo algumas delas: as petições ficarem obsoletas e desatualizadas; a frequente condenação em questões previsíveis de indeferimento; a mercantilização da atividade; a captação desarrazoada de clientela sem possuir estrutura e meios para gerir a demanda; entre outros empecilhos de difícil solução.

Logo, desde que utilizada de modo organizado e planejado, a tecnologia pode ser uma ótima aliada na gestão de processos, escritórios, clientes, advogados, bem como fornecer novas oportunidades de atuação a diversos escritórios de advocacia, tanto os novos quanto os já firmemente estabelecidos.

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Katiussa Bitencourt

Katiussa Bitencourt é Jornalista formada pela UNISINOS, Pós graduada em Marketing Digital e especialista em marketing jurídico e político, sendo head das consultorias de marketing digital da ADVBOX e premiada juntamente com a Equipe ADVBOX Consultorias como Agência de Resultados  2018 pela Resultados Digitais.