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As mudanças tecnológicas das últimas décadas, impulsionadas principalmente pela internet, transformaram os diversos setores da sociedade e hoje estão inovando o mercado jurídico. Das etapas operacionais mais simples, como peticionar em um processo, às mais complexas e subjetivas, como o relacionamento entre escritórios, se percebe um movimento de transformação profunda.

O momento atual é de se situar nesse cenário e criar as possibilidades. Participar ativamente do processo de transformação do mercado jurídico a partir das novas tecnologias é a maior garantia para que as mudanças sejam implementadas nos escritórios de forma fácil, sem traumas ou resistência. Participar da criação de um novo cenário motiva advogados e equipes a caminhar para o futuro.

Por isso, queremos comentar aqui três fenômenos significativos que estão sendo construídos no mercado jurídico brasileiro e que já são uma realidade em alguns estados e escritórios.

Processo eletrônico

Com fama de ser pouco ativa e movimentar-se com dificuldade, a Justiça brasileira ganha velocidade com o processo eletrônico. O efeito é o mais simples que se possa pensar: o tempo que o advogado levaria para ir do seu escritório ao cartório realizar uma juntada de documentos, além do tempo de levar os autos até o juiz e manuseá-los, é reduzido descomunalmente. O que antes levaria no mínimo uma hora para ser realizado, diminui-se para quinze minutos. Em escritórios que possuem conexões de alta velocidade, como a fibra ótica, o tempo pode ser ainda menor.

Individualmente o ganho já é significativo, mas pensando que todos os escritórios do mercado jurídico brasileiro, e a Justiça como um todo, adiram a este tipo de sistema, os ganhos de tempo, e consequentemente recursos, serão praticamente inimagináveis.

Digitalização dos escritórios

A consequência imediata do processo eletrônico é a digitalização dos escritórios. Em um primeiro momento, escanear todos os documentos dos clientes e armazená-los de forma eletrônica é suficiente. Afinal, por que gastar com impressões e cópias impressas de documentos que serão juntados apenas de forma digital?

Assim, se torna possível livrar-se das pilhas e mais pilhas de documentos, os quais podem ser extraviados e estragados por mau armazenamento, além de outros problemas. Mas a gestão e armazenamento digital seguro já não são as únicas formas de digitalizar um escritório. Assim como o varejo se tornou e-commerce, os escritórios de advocacia caminham para um modelo de escritório virtual.

Um exemplo proeminente é a Koetz Advocacia, que fechou seu “balcão” e montou um sistema de atendimento e consultas totalmente digital. Isso possibilitou ao escritório um crescimento mais rápido, pois seus especialistas se debruçam com mais foco sobre os casos que recebem, como nos contou Eduardo Koetz, CEO da Koetz Advocacia e um dos primeiros clientes aqui da AdvBox.

“Antes tínhamos a atenção interrompida a todo instante, agora podemos focar nossos esforços em elaborar as peças, buscar provas, fazer cálculos e, no momento de atender os clientes, por ser através de consulta digital, escrita, podemos dar total atenção a isso. Fica muito mais fácil de realizar todas as etapas com atenção, diminuindo enormemente os erros”, segundo Koetz.

Digitalização dos relacionamentos entre escritórios, ou Advocacia em Rede

Se os escritórios de advocacia se tornam escritórios virtuais, seus relacionamentos também ganham essa versão. É o mesmo que acontece com o resto da sociedade como um todo: as amizades não se diluem, mas a relação entre as pessoas é reconfigurada pelas redes sociais.

A tendência é que os escritórios do futuro mantenham parcerias a partir de plataformas digitais. Seriam “redes sociais de negócios”, as quais possibilitam a gestão de relacionamentos com maior facilidade, registro e segurança. Assim, encontrar profissionais ou free lancers, como estagiários e estudantes de Direito, em cidades distantes das cidades em que estão estabelecidas as equipes dos escritórios virtuais, com a finalidade de realizar diligências, seria mediada por uma plataforma segura, que facilitasse a comunicação, a encontrabilidade e o acompanhamento da solicitação.

Outro caso seria o exercício da advocacia em rede, com compartilhamento de clientes (para ações similares à realização de diligências), acompanhamento de processos com parceiros e outras formas de exercício da atividade que vêm se moldando nos últimos anos.


Alan Vital

Alan Vital é Advogado e Programador Front End, com Pós graduação em Direito Digital e Compliance, especialista em Marketing Jurídico e Gestão de Escritórios Digitais, além de membro de comissões da OAB e da Jovem Advocacia. Consultor da ADVBOX.

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